Foi em meados da década de 1970 que surgiu, no município de Porto Velho, então pertencente ao Território Federal de Rondônia, um braço da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em meio à Floresta Amazônica. Com menos de três anos de existência, a Embrapa colocava em prática uma política de descentralização. Para isso, criou unidades em diferentes partes do País, de Norte a Sul.
Oficialmente, a unidade da Embrapa em Rondônia foi criada em 10 de julho de 1975, durante o governo do general Ernesto Geisel, o quarto presidente do regime militar instaurado pelo golpe militar de 1964. A Amazônia brasileira experimentava um intenso processo de colonização, especialmente por impulso do Plano de Integração Nacional, que cunhava lemas como “integrar para não entregar”. Em dez anos a população de Rondônia saltou de pouco mais de 100 mil habitantes para quase 500 mil pessoas.
É neste contexto que surge a Unidade de Execução de Pesquisa de Âmbito Territorial de Porto Velho (UEPAT), que apenas na década de 1990 seria rebatizada como Embrapa Rondônia. Como o nome sugere, o objetivo da Embrapa em criar uma unidade em Rondônia era o de validar e adaptar tecnologias geradas nos grandes centros de pesquisa do País.
O primeiro escritório funcionou em uma casa localizada na rua José do Patrocínio, Centro de Porto Velho. Foi lá que, como chefe, o engenheiro agrônomo William José Curi, coordenou a composição da primeira equipe da unidade, aprovada em concurso realizado no dia 15 de novembro de 1975. Alguns fazem parte até hoje do quadro da empresa, como Wilma Inês de França Araújo, que trabalha na Gestão de Pessoas, e Raimunda Leidymar Vieira da Costa, que trabalha no setor financeiro.
Os primeiros experimentos foram realizados em áreas de produtores de Porto Velho e Presidente Médici, distante cerca de 400 quilômetros da Capital. Nos anos seguintes foram instalados experimentos em Ariquemes e Ouro Preto do Oeste. No final da década de 1970 foram instalados no Cone Sul do Estado experimentos de arroz e soja, aproveitando a aptidão geográfica do local, com terras planas e formações florestais típicas de cerrado.
Nas regiões de floresta são experimentados consórcios entre culturas perenes e espécies florestais. Foram instalados plantios de café consorciado com seringueira ou cacau. A unidade passa a dar ênfase nas pesquisas de sistemas agroflorestais, ao sistema de produção de café conilon - espécie mais adaptada ao clima da região que o café do tipo arábica – e à pecuária leiteira, tanto bovina quanto bubalina.
Em setembro de 1980 a unidade conquista uma sede definitiva, construída em uma área de 498 ha distante pouco mais de 5 quilômetros do perímetro urbano de Porto Velho. A inauguração contou com a presença do então governador do Território Coronel Jorge Teixeira de Oliveira, que foi recebido pelo chefe Márcio Antonio Cattini. Três anos depois, quando Rondônia deixou de ser Território para tornar-se Estado, a unidade passaria a se chamar UEPAE e não mais UEPAT.
A década de 1980 foi especialmente virtuosa para a unidade por conta do Programa Integrado de Desenvolvimento do Noroeste do Brasil (Polonoroeste), executado durante os anos 1980, com recursos do Governo brasileiro e do Banco Mundial, sob a coordenação da Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco). A área de influência ia de Cuiabá, capital do Mato Grosso, a Porto Velho, tendo como eixo a BR 364, que ligava as duas cidades.
Com o Polonoroeste teve um aporte de novos pesquisadores e laboratórios. Além do Laboratório de Sanidade Animal e do Laboratório de Solos, que foram criados ainda na década de 1970, a unidade passou a contar com os laboratórios de Fitopatologia e de Entomologia. Equipamentos foram adquiridos para os campos experimentais e novas linhas de pesquisa foram lançadas, com foco em olericultura, fruticultura, guaraná, e florestas.
Em março de 1991 a unidade passa por uma nova mudança de nome, agora de acordo com uma nova missão e um novo foco. De UEPAE passa a chamar-se Centro de Pesquisa Agroflorestal de Rondônia (CPAF-RO), com nome síntese Embrapa Rondônia. Diante de um novo contexto de consciência ambiental global, a unidade agrega às suas responsabilidades a preservação e conservação do ecossistema buscando um modelo específico de pesquisa agropecuária e florestal.
Surgem novos desafios relacionados com a recuperação ambiental e a sustentabilidades da atividade agropecuária. O rebanho rondoniense cresce exponencialmente. Foi na década de 1990 que o Estado passou de cerca de 1,7 milhão de cabeças para mais de 6 milhões de cabeças de gado. São realizados investimentos de pesquisa em manejo de pastagens, sanidade animal e sistemas agroflorestais.
É também na década de 1990 que se consolida a força da produção agrícola rondoniense de café conilon. Com trabalhos de melhoramento genético realizados no Campo Experimental de Ouro Preto do Oeste, a Embrapa Rondônia contribuiu para colocar o Estado na segunda colocação quando se compara produção de café conilon no Brasil, perdendo apenas para o Espírito Santo, tradicional produtor.
Nos anos 2000 surge o primeiro movimento de renovação da equipe. Membros mais antigos chegaram à aposentadoria e novos profissionais foram contratados. A Embrapa Rondônia se firma não apenas como uma unidade de validação ou adaptação de tecnologias, mas também como geradora de conhecimento para a região amazônica. Investimentos consideráveis foram feitos nos últimos cinco anos, possiblitando a reforma de prédios, laboratórios e a compra de equipamentos.
Atualmente, são desenvolvidas pesquisas voltadas para melhoramento genético, biotecnologia, qualidade do leite, recuperação de pastagens, integração Lavoura-Pecuária-Floresta, culturas anuais e recursos florestais. É o resultado de 34 anos de trabalho que ajudaram o Brasil a se tornar um importante produtor agropecuário no cenário mundial e respeitado pela tecnologia desenvolvida na área.
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