|
Na área tecnológica,
as limitações para que pequenos agricultores da Amazônia adotem os
Sistemas Agroflorestais como atividade agroeconômica, estão
centradas, principalmente, na ausência de informações sobre o
manejo dos sistemas e na complexidade das interações entre os
diferentes componentes, específicas para cada região. Todos esses
fatores dificultam a generalização de conclusões e recomendações.
A mudança da condição de economia de subsistência,
tradicionalmente aceita nas regiões tropicais, para uma economia
de mercado dos sistemas agroflorestais, exige da pesquisa e da
experimentação uma postura, apontada para o estudo,
desenvolvimento e aperfeiçoamento de tecnologias para esta
modalidade de uso da terra. Tecnologias que sejam capazes, também,
de promover integração entre ações antrópicas e ambientais,
evitando situações como áreas degradadas, exploração desordenada
da floresta, manutenção da pobreza de pequenos produtores, além do
êxodo rural.
Desenvolver estudos que permitam responder interrogações como:
quais os tipos de sistemas agroflorestais que existem no campo e
quais são seus componentes?; sistemas diversificados se
caracterizam por um maior grau de estabilidade em um ou vários
parâmetros indicadores (p. ex. rendimento líquido, ciclagem de
nutrientes)?; qual é o conhecimento local sobre o estabelecimento,
o manejo e o aproveitamento destes sistemas e de seus componentes?
Os estudos devem oferecer informações que induzem a postular
perguntas de contexto, sobre os mercados e a comercialização dos
produtos gerados pelos SAF´s na Amazônia. A geração e validação de
tecnologias representam o caminho para que os SAF´s aumentem a
competitividade frente a alternativas convencionais de agricultura
na Amazônia.
A Amazônia possui características que tornam os plantios uniformes
de agricultura, pastagem e floresta, sobretudo de espécies
nativas, mais vulneráveis às pressões biológicas, onerando e
dificultando o manejo da agropecuária e da floresta na região.
Tais dificuldades levam à perpetuação da agricultura itinerante,
de sistemas de produção agrícola e pecuária inadequados, bem como
à extração predatória dos recursos naturais
Os sistemas agroflorestais são apontados como uma das alternativas
econômico-ecológicas viáveis de produção agrícola. Constituem o
tipo de uso do solo que mais se aproxima da estrutura e da
dinâmica da vegetação natural, podendo substituir, com certa
eficiência, na sua função ecofisiológica de manutenção do
equilíbrio ecológico nos trópicos úmidos.
A viabilidade econômica e a longevidade produtiva são
características importantes para os sistemas de uso da terra na
Amazônia. A sustentabilidade dos sistemas de produção está ligada
aos diferentes mecanismos de uso dos recursos solo e clima. O
sucesso dos sistemas produtivos está relacionado à tentativa de
aproximação ao ecossistema natural, o que não ocorre na região com
a maioria dos agricultores.
A agrofloresta deve ser praticada com a intenção de desenvolver
formas mais sustentáveis de uso da terra, que possa incrementar a
produtividade na propriedade e o bem estar da comunidade rural. No
entanto, é necessário levar em conta o fato de que a agrofloresta,
atualmente, vem sendo considerada como um conjunto de distintas
prescrições para o uso da terra.
A importância da pesquisa participativa deve ser realçada, onde a
observação contínua e o contato com os produtores permitem ao
pesquisador compreender mais sobre o funcionamento real do
sistema, dentro das limitações ecológicas e socioeconômicas da
região. Deste modo, cada estudo particular ajuda a identificar os
fatores que limitam a produtividade e a rentabilidade do sistema.
Na Amazônia já existem inúmeros consórcios implantados e bem
sucedidos, muitos deles em plena produção, tanto em instituições
de pesquisa como em área de produtores. No entanto, necessita-se
avaliar parâmetros quantitativos e qualitativos das variáveis do
meio biofísico dos SAF´s de interesse sócio-econômico já
existentes no meio rural na região Amazônica.
Florestas
A indústria de base
florestal tem demostrado um potencial econômico considerável,
garantindo uma boa participação nas exportações brasileiras. Em
2002 as exportações de madeira atingiram 1,1 bilhões de dólares e
a região amazônica respondeu por 48% desse total, apurando uma
receita na ordem de 461 milhões de dólares.
A região amazônica, que detém cerca de 30% das florestas tropicais
do mundo, apresenta perspectivas de aumentar a participação no
mercado interno e nas exportações para países consumidores.
Inserido nesse contexto, o estado de Rondônia possui um parque
industrial de base florestal de 563 indústrias, entre serrarias e
fábricas de compensados, 123 movelarias, representando 33% do
número total de estabelecimentos industriais do Estado. É também
responsável por empregar 25 mil trabalhadores e gerar 25% do total
de impostos arrecadados.
Para dar sustentabilidade a este parque industrial, o Estado,
juntamente com as instituições ligadas ao setor, participaram da
implantação de 20 milhões de mudas de árvores de diversas espécies
de interesse econômico em áreas de pequenos e médios agricultores,
além de conservar quase 2 milhões de hectares de florestas nativas
em áreas de produção florestal.
A Embrapa Rondônia tem participado deste segmento através de
estudos para melhor conhecimento deste recurso e gerando
tecnologias para melhor aproveitamento e manutenção do mesmo. |